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Pura Palavra

poesias e contos

Língua da Terra

Língua da Terra

Plantados no planeta água
Corpos secam
Antes, buscam Luz, rigidez
Potência em caules e veias

Brotos e flores experimentam, testam
Solo, velocidade dos ventos, sombra
Sucumbem ao Tempo, testemunham
A pauperidade da Verdade

Natureza, a mãe, é surda
Ver não é o bastante
Terra alimenta, decompõe
Vidas, a minha, a tua, secam

Ciência cria canais
Condições artificiais
Deuses Djavans sacralizam
Açaí, fruta guardiã, rituais

Rimas, tal como imãs, lambem
A evanescência das palavras
Na superfície, é certo, nascem
Seres demais, vermes

O bom e velho Blake
Passeia em rosas vermelhas
E ama sem distinção a todas
Secretamente

tania amares

A imagem pode conter: flor e planta

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when I’m sixty-four

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When I’m sixty four

Não perderei meus cabelos
os homens de minha vida
acharão seus rumos

meu pai galgará o tempo
o pai dos meus filhos afogar-se-á
num baú de moedas
meu filho buscará o Sol Nascente

as mulheres, ah essas fadas
bruxas angelicais
mãos, carinhos e gritos
tapas tão doces
vozes ardentes

minha mãe será um presente
para poucos
amarrada num lindo laço de fitas

minha filha entoará seu canto de guerra
pintará o rosto, enfeitará os cabelos
enfrentará a floresta

a solidão é colorida
camuflada nos fios da mente
filtros de sonhos

mandalas brilham ao sol da manhã
à tarde, são acúmulos
poeiras, restos de aranhas
e moscas
mortas

tania amares

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Pichite

Pichite

picho aqui, repicho,
posto aqui o meu repicho

há algo de podre
e não é lá mas cá
bem aqui
na minha marca

saudosa Mallorca
fais gudum fais

tania amares

imagem:Os Gêmeos

Bha

Bha

nenhum poeta escondido no verso
vida estendida, escancarada
rimas mortas, com ou sem sangue
pulsam ou não, tingem ou não

um poema cansado deitou-se na esquina
garrafa vazia, cabeça cheia e o dia
era finados

tania amares

 

grafite Os Gêmeos

Desamarração

 

desamarração

no lapso do teu sapato
me solto,
dissolvo a história no caminho,

suspendo a lógica,
desfaço o nexo,
escorrego

percebo  raios
devaneios e cores
esvaindo-se em teu ocaso

decifro teu signo
torcido menino
sujeito interino
dobrado em esquina

quem te venta?
onde dança tua imagem?
teu desdém não mais me cabe
invento a lua e me lanço

agora meu nome,
é norte,
meu corpo
é pura e absoluta
sorte

tania amares

Autoficção

autoficção

sou letra tremida
de repente, gente
escrita difícil
esboço em construção
andaime provisório
ilusão

sou gota, gosto, gesto
meu rosto é pingo
em pleno domingo
de sol

da mão, o traço que me faz
cresço de mim, raiz
floresço

sou para você
no ar, em sonhos,

em meio a ventos medonhos
te pego pra escrever
te faço
você

tania amares

Imagem relacionada

Rock-a-bye

Rock-a-bye

Dormem homem e lata
Nenhuma razão habita o fogo
Chamas consomem seu coração

No fundo, a Força entocada
Agita o meio do lodo

Tudo é arte
Tudo parte

tania amares

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A baba azul de Bukowski

A baba azul de Bukowski

Meu pássaro blue desbota.
Voa aos trancos, cai barrancos,
Cria os próprios solavancos.

Quer morrer na madrugada.
Para quê? Por quê ?
Não sabe parar de querer.

Mostro a ele seu dom,
Digo que é frágil, que é bom.

Ele repete zangado:
-Sou um pássaro solitário.

Fala da sina na esquina,
Do tédio da Colombina.

Queria morar em árvores,
Provar ninhos, tecer manhãs.

Quis até se fazer galo,
mas, pobre, é presidiário.

Encarcerado num copo,
pensa ter pele de vidro.

Acha-se transparente,
mistura alma, corpo
e mente.

Faz da vida um boteco.
Chora, não quer cantar.

Vê Pitágoras de quatro
Lambendo seu calcanhar.

Estranhamente bonito,
Tem medo de acordar

E dorme,
Dorme para não me olhar.

tania amaresblue bird texto meu

Falasseres

falasseres

tão próximos que somos
as próprias
as outras

palavras

mesclamo-nos
seres de corpos
de sangue

letras

primeiros e últimos
nós
os verbos

fundimo-nos
e eis que
surgimos

poemas

tania amares

eu sabah carnav 2016.jpg

Em uma das versões da mitologia Iorubá, Oduduá se refere a um orixá feminino,  a esposa de Oxalá, rainha da Terra.

A história a seguir  considera Oduduá uma divindade feminina, da criação, o útero da terra.

Ao lado de Obatalá formam o casal primordial.

O universo é visto como uma grande cabaça representada por Oduduá e Obatalá.

Oduduá é a parte de baixo da cabaça e Obatalá, a parte de cima.

                       Oduduá e a briga pelos sete anéis  

          ( por Kiusam de Oliveira do livro OMO-OBÁ  Histórias de Princesas)

Oduduá tinha uma beleza rústica e não gostava de se enfeitar.

Ela era a Terra e tinha a força da Terra e a cor da Terra. Desde criança, Oduduá só teve dois desejos: ficar para sempre a habitar a sua cabaça e possuir os sete anéis.

Possuía como atributos a rapidez e a determinação. Era uma guerreira que saía em busca do que desejava. Suas cores preferidas eram o marrom e o vermelho.

Oduduá era uma princesa linda e Obatalá era um lindo príncipe.

Antes de o Céu e a Terra existirem, eles já existiam e moravam dentro de uma cabaça.

A cabaça não era grande e eles tinham que viver muito apertados lá dentro e um tinha que ficar em cima do outro.

Todas as noites, o príncipe Obatalá decidia que a princesa  Oduduá deveriam dormir embaixo dele.

– Princesa Oduduá, ordeno que você durma novamente embaixo de mim – exclamava Obatalá.

– Príncipe Obatalá, eu ordeno que você pare de ordenar. Temos que chegar a uma decisão comum- retrucava a princesa Oduduá.

Mas  isso não era o suficiente para o príncipe Obatalá mudar sua forma de agir. Tudo tinha que acontecer do jeito que ele havia planejado.

Eles ganharam de um parente próximo sete anéis de ouro e tinham que dividi-los. Mas sete é número ímpar e sua divisão não dá um número igual para cada pessoa.

O príncipe Obatalá ordenou:

– Quem dormir em cima fica com quatro anéis nos dedos; quem dormir embaixo fica com três anéis nos dedos. Eu ordeno que, novamente, eu durma em cima, porque eu sou a pessoa certa para ser o Senhor dos Anéis.

E assim foi feito. E foi feito assim por muito tempo.

Um dia, antes  de decidirem quem ficaria com os três ou quatro anéis, a princesa Oduduá falou:

– Príncipe Obatalá, eu não aceito mais esta imposição sobre mim.  Não é por que você é homem que deve sempre ter sua vontade atendida. Sou mulher e tenho meus direitos do mesmo jeito que você os tem.

– Penso que, por ser homem, somente eu devo ter direitos. Sendo assim, ordeno que você se deite novamente embaixo de mim e eu ficarei com os quatro anéis nos dedos – respondeu o príncipe Obatalá.

A princesa Oduduá, irada, partiu para cima dele numa briga sem-fim. Enquanto lutavam, tentavam cada um pegar os anéis, sem sucesso.

Lutaram, mas lutaram tanto que a cabaça se rompeu em duas partes.

Conforme a cabaça se rompeu, a parte de cima dela foi projetada para o espaço juntamente com o príncipe Obatalá; e a parte de baixo permaneceu lá com a princesa Oduduá.

E os anéis? Bem devem estar espalhados pelo mundo.

Foi quando o príncipe Obatalá gritou, olhando para baixo:

– Oduduá, eu sou o Senhor do Céu. Estou acima de você e vou olhá-la para sempre.

– Obatalá, eu sou a Senhora da Terra – respondeu Oduduá. – Estou embaixo de você e vou olhá-lo para sempre.

E foi assim que Céu e Terra se separaram: a partir de uma briga. E os sete anéis continuam espalhados pelo mundo. Quem será capaz de encontrá-los?

 

A voz não vê você

A voz não vê você

Nenhum verso vê a uva
enquanto o corpo
cai na chuva.

São cegos e
as frutas, frias.

Quem chama
de amigo o dia
ou com carinho
enxuga
a lágrima da noite?

O tempo passa sozinho
e treme
e geme.

tania amares

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O poema e o ralo

O poema e o ralo

Corra, poema
não pare,
não ouça,
fale.

Domingo
sem pé,
mundo
sem pingo.

Verso é assim
reverso, virado,
sonho corrido,
peito vazado.

É pensamento
fazendo palavra,
girando moinho,
partindo,
partindo.

Até a vida
escorrer toda
pelo buraco
da boca.

tania amares

ralo

Inverno

Inverno

Quando eu quase morri,
estava viva.

Na chuva cinza ouvi
o silvo de Pã.

Então, sorri.

 

tania amares

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Natureza

 

natureza poema

Asco

é hora do amoço,moço

só a músca consola,
só a arte renova
é capaz de resistir

nenhum passarinho passará comigo
eu pisoteada
estarei na armadilha
arapuca

essa onde furam olhos dos pássaros pretos
nem todos tem a sorte
de serem poetas
nem todos passarão
eu
passarinharei
com dignidade de quem tentou lutar

sabendo que armas,
cortam mãos de poetas
são mais fortes
cortam cabeças

e as expõem no mercado
em prateleiras
entre xaxados
pão,.circo

marias bonitas
lampiões
gente que lutou
morreu
como todas as gentes

amargas, senhores
que o doce fica na boca da moça

tomam café de manhã
para adoçar conquisias literárias
recente entre o abraços e sorrisos solidários

dos que se entregam por amor
humildade

e principalemte
pela crença

a crença de que no resto de humanidade
há quem teime em buscar
na solidão dos tempos

uma noite delicada
em que amarguras
possam ser compreendidas
como belezas

solitárias
e ainda assim
persistentens
na maravilha da vida

simbolizando o que parece seperder
a consistència do efêrmero é
invenção da alegria
o mais puro sorriso de uma criança.

tania amares

Cérbero

cérbero

a pior hipocrisia é a que se faz de santa e projeta no outro toda sordidez do próprio egoísmo e crueldade.
é sempre o outro

o eu, esse anjo doce
preocupa-se apenas em que descubram
o quanto ele pisa na cabeça dos fracos
o quanto ele lustra o próprio umbigo

e como cereja do bolo
enfeita a própria guloseima
com a frase

“tanto ódio no seu coraçãozinho,meu bem”
“deixe de ser tão amarga !”

coisas de pessoas do bem
que só estendem a mão para bater
e ocultar o cadáver
no apetite dos cães capitais

tania amares

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