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Pura Palavra

poesias e contos

Natureza

 

natureza poema

Asco

é hora do amoço,moço

só a músca consola,
só a arte renova
é capaz de resistir

nenhum passarinho passará comigo
eu pisoteada
estarei na armadilha
arapuca

essa onde furam olhos dos pássaros pretos
nem todos tem a sorte
de serem poetas
nem todos passarão
eu
passarinharei
com dignidade de quem tentou lutar

sabendo que armas,
cortam mãos de poetas
são mais fortes
cortam cabeças

e as expõem no mercado
em prateleiras
entre xaxados
pão,.circo

marias bonitas
lampiões
gente que lutou
morreu
como todas as gentes

amargas, senhores
que o doce fica na boca da moça

tomam café de manhã
para adoçar conquisias literárias
recente entre o abraços e sorrisos solidários

dos que se entregam por amor
humildade

e principalemte
pela crença

a crença de que no resto de humanidade
há quem teime em buscar
na solidão dos tempos

uma noite delicada
em que amarguras
possam ser compreendidas
como belezas

solitárias
e ainda assim
persistentens
na maravilha da vida

simbolizando o que parece seperder
a consistència do efêrmero é
invenção da alegria
o mais puro sorriso de uma criança.

tania amares

Cérbero

cérbero

a pior hipocrisia é a que se faz de santa e projeta no outro toda sordidez do próprio egoísmo e crueldade.
é sempre o outro

o eu, esse anjo doce
preocupa-se apenas em que descubram
o quanto ele pisa na cabeça dos fracos
o quanto ele lustra o próprio umbigo

e como cereja do bolo
enfeita a própria guloseima
com a frase

“tanto ódio no seu coraçãozinho,meu bem”
“deixe de ser tão amarga !”

coisas de pessoas do bem
que só estendem a mão para bater
e ocultar o cadáver
no apetite dos cães capitais

tania amares

Suma, querida

Suma, querida
.

Afetuosos tapinhas

Nas costas
As mesmas
Costelas
De onde sairam
Ossos
Homens
Mulheres
Eva
Caim, Abel

Adão não
Esse é molde
Forma defeituosa

Irmãos
Que será isso,
Meu Deus?

Será meu?
Será Deus?
Serei eu?

Quero asas
Ah penas
Tantas
Dolorosamente bonitas

Seriam as dores
Coloridas?

Fossem guelras
Seriam buracos
Opacos

E as guerras
Todas
Perdidas

tania amares

Lótus

Lótus

aranha da lama
mulher aberta
em cor
em luz
em chama

enquanto o mundo mente
ódios jorram dementes
enquanto me dizem louca

devassa
impotente
escassa

eu
floresço

tania amares

Lacrimosa

 

Lacrimosa
 
Quando se morre, a cada dia,
morre também uma pequena luz no coração
um facho, outro, acende-se
na memória
 
no peito cresce o vazio
assustador
 
uma floresta aparece
árvores fantasmas
 
venta na superfície dos rios
velhas veias sem arte
enfartam-se, artérias
desembocando
em pororocas
nos pequenos canais
lacrimais
 
tania amares

fim

o céu tão azul
dissipa-se num tecido esgarçado
segue o mundo em ruínas

ah! pintura
nada segura
suas tintas

mar engole o hoje
ontem e amanhã revirados
no fundo, no lodo
jogados contra a areia escura

restos de peixes
comidos e largados
choram as sobras de seus ossos

a vida não vale a cor da tela
pintada num dia de sol

é pó
nada de nada
ecos de gritos

sonhos empalados
em bárbara tortura
sangue recolhido
em papel celofane

oferenda sacrificial apenas
para alegrar os que riem alto
os que ostentam poderes
e forças verdes e amarelas
ouro de nós tolos

tania amares

Resultado de imagem para oferenda católica

Olha

 

Olha

o nervo é óptico
fotografa, meu bem

hoje tudo é museu
eu, você, a luz

escuta os registros encarnados
da luz nervosa, múltipla
leve

na cidade, perde-se
o olho ao som parado
dos ônibus em greve

corre a fumaça das favelas
incendeia a arte, arde
exposta nas janelas

tania amares

 

Imagem Incêndio Museu da Língua Portuguesa

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Dos canibais

Dos canibais

Não, meu corpo, não chores.
És carne sim.
Fraco, pequeno,
sujo, finito.

Sei que não dormes,
nunca conseguirás
acordar.

Não se acorda nessa vida.
Nenhum acordo habita
o pulsar do teu coração.

Sei, meu corpo,
ignoras:
toda mente,
mente.

Serás sempre,
exata e somente,
corpo.

O que cai,
o que se enforca,
tomba e some.

Envergonhados
corpos
do pó à lama.

Torpe, a Hipocrisia
venda a Justiça
e vende.

E vende !.

Podre mercado
de gente
fraca em carne
e mente.

tania amares

imagem Francisco Goya

Voz

Voz

Uivo espremido,
Silêncio da noite.
Barco pequeno,
Meio do mar,
Perdido.

Dentro,
Sopro insistente.
Boca apertada,
Vaia demente.

No palco,
Ursa Maior,
Presente.

Brilho de lágrimas,
olhos cintilantes,
Distantes.

– Segue, barqueiro,
Segue só.
Daqui o vejo.

Velo e revelo
Quem me olha.

Somos sóis
e sós.

tania amares

ilustração Caronte , barqueiro das almas
Gustave Doré

 

O que é um poema?

o que é um poema?

jorro de palavras emocionadas
comedida construção silábica
rio de ego em correnteza livre
exposição de idéias soltas
e/ou comprometidas

poema
quem tu és?

ah, se soubesses
dizer
mostrar
esconder

caro poema
meu amigo
contam que és
pura poesia

outros que não
que és qualquer coisa
entre o céu e o inferno

ainda que pequeno
mesmo que imenso
és só o que tenho

por isso
te amo

tania amares

carnaval 3 2015

Alma

poeminha alma

Vita Brevis

Alguns abraços sonham
apertar somente o corpo.

Os mais acolhedores,
porém,
envolvem a Alma.

Luz efêmera desamparada
a fugir por duas janelas
com saudades do Nada.

tania amares

Vita Brevis

Vita Brevis

Alguns abraços sonham
apertar somente o corpo.

Os mais acolhedores,
porém,
envolvem a Alma.

Luz efêmera desamparada
a fugir por duas janelas
com saudades do Nada.

tania amares

imagem autor desconhecido salvo de Pinterest
por Rogete Fernandes

in https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/…/1a2fde843c749add06ca…

tractatus pharophicus

Tractatus Pharophicus

cebola picada
alho, azeite
dois ovos

ops

há que se mexer

com
muito
carinho

tania amares

Além da conta

um dois três assassinos
quatro cinco seis assassinos
sete oito nove assassinos
mil indiozinhos mortos

jogadores, seguranças
fortões, enganadores
mentem
escondem mulheres
batem
trocam por chicletes

tantos espalhados
nas esquinas
bares, lares
igrejas e praças

um dois três assassinos
quatro cinco seis menininhas
sete oito nove indefesos
todos no mesmo barco

 

tania amares

Resultado de imagem para indiozinhos barco

As Néias

As Néias
 
não tem graça
a rua dos bobos
o número zero
 
às vezes a vida
é só
casa
de papel
no papel
 
rabiscos
sem teto
paredes
sem rede
 
casa sem colo
sem bolo
mas casa
tijolo
 
vão-se os dedos
ficam 100 anos
100 planos
 
anéis de fumaça
plantados em frente
à praça
 
tania amares

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